LIVRO CONTA A HISTÓRIA DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL


CONTA A HISTÓRIA DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL

APRESENTAÇÃO

Esta é mais uma edição da História da Participação do Brasil nas Copas do Mundo, publicada com a intenção de oferecer ao torcedor dados sobre a Seleção Brasileira de Futebol. Não temos a pretensão de fazer estatísticas e nem de provar se o que aconteceu estava correto ou não. Tentamos buscar a verdade dos acontecimentos e mostrar aos leitores fatos e incidentes de conhecimento geral, que estavam escondidos sob o pesado manto do tempo. Você poderá relembrar o que presenciou, tomou conhecimento ou ainda, apenas por curiosidade, saber o que houve com o Brasil nas Copas de que participou. São oitenta anos de Copas, em um total de dezoito Campeonatos Mundiais, todos com a presença do Brasil. Temos a certeza de que com esta publicação você poderá tirar suas dúvidas e ainda guardá-la com carinho, como um pedaço da nossa história no futebol mundial.

INTRODUÇÃO

A HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL

A história do futebol em nosso país começou no ano de 1894, quando um jovem de 20 anos, filho de pai inglês e mãe brasileira, nascido em São Paulo, perto da estação de trem do Brás, voltou de uma viagem de estudos à Inglaterra. Veio trabalhar como engenheiro na São Paulo Railway Company, uma empresa inglesa de ferrovias e, mais tarde, se tornou também correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul no Brasil.
Trazia consigo um livro de regras, um par de chuteiras, dois jogos de uniformes (um de time e um de juiz), um apito, uma agulha, duas bolas oficiais de futebol usadas da marca “Shoot”, fabricadas em Liverpool e uma bomba de ar para enchê-las. O jovem de nome inglês, não poderia imaginar que com esse gesto iria influenciar um país inteiro para o resto da história.

Charles William Miller retornava de Southampton, extremo sul das ilhas britânicas, após ter completado o curso de engenharia na Banister Court School. No mesmo período aprendeu a jogar futebol, tornando-se um excelente centroavante do Southampton Football Club.

Com 17 anos, Charles já mostrava muita habilidade com a bola. Disputou 34 partidas por sua escola e marcou 51 gols. Pelo St. Mary ele jogou 13 partidas, fazendo três gols. Já pelo time do Condado de Hampshire, marcou três gols, em seis partidas. Por duas vezes, enfrentou o time inglês Corinthian (sem o “s”), o mesmo que em visita ao Brasil serviu de inspiração aos paulistas em 1910.

Charles foi jogador, árbitro, dirigente e é considerado o pai do futebol no Brasil.

Apaixonado por esportes, também foi o fundador da Associação Paulista de Tênis.
Esteve presente na primeira partida de futebol realizada no Brasil, na capital paulista, no dia 15 de abril de 1895, na Várzea do Carmo (hoje conhecida como Gasômetro, perto do Parque Dom Pedro II), entre os times da São Paulo Railway e da Companhia de Gás, vencida pelos ferroviários por 4 a 2.

Quando Charles Miller regressou da Inglaterra havia apenas um clube na cidade, o São Paulo Athletic Club (SPAC), fundado pela colônia britânica para a prática do críquete, um jogo que envolve tacos de madeira e arcos de ferro espetados no chão. Miller foi sempre um entusiasta pelo esporte e sua atuação foi fundamental para a criação da Liga Paulista de Futebol, semente da Federação Paulista de Futebol, composta à época pela Associação Atlética Mackenzie College, Sport Club Internacional, Sport Club Germânia, Club Atlético Paulistano e São Paulo Athletic Club. Foi artilheiro deste último clube e ganhou os três primeiros campeonatos estaduais em 1902, 1903 e 1904. Jogou no clube até 1910, quando encerrou a sua carreira de jogador. Depois disso, atuou como árbitro até 1914, quando se desligou do futebol.

Cabe assinalar que nessa mesma época o futebol era introduzido no Rio de Janeiro por outro descendente de ingleses que retornava da Suíça, Oscar Edwin Cox, que mais tarde, como jogador de um combinado, defendeu o Brasil em um jogo revanche contra a Argentina em 12 de setembro de 1912, quando perdemos a partida por 4 a 0.

Voltando a Charles Miller, ele também criou um drible com o calcanhar, uma jogada identificada como “Charles”, em sua homenagem. Sua participação e influência no esporte eram intensas; foi ele quem sugeriu o nome do primeiro presidente do Sport Club Corinthians Paulista.

Charles Miller nasceu em 24 de novembro de 1874 e faleceu no dia 30 de junho de 1953. Hoje, dá nome à praça em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

A HISTÓRIA DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Poderíamos afirmar que a seleção brasileira nasceu na Bahia, porque o primeiro jogo representativo do Brasil de que se tem notícia foi de um combinado baiano contra um combinado inglês, no dia 7 de junho do ano de 1903, em Salvador, no campo dos Mártires, hoje chamado de campo da Pólvora, que terminou em 0 a 0. O técnico foi Álvaro Tarquínio que também atuou como jogador nessa partida.

Formamos com: Luiz Tarquínio Filho, Álvaro Tarquínio, e Artur Morais; Pedro Ferreira, Alberto Martins Catharino e Z. Nova Monteiro; J. Nova Monteiro, Agenor Gordilho, José Ferreira Filho, Juvenal Tarquínio e Augusto Carvalho.

A segunda partida aconteceu no dia 28 do mesmo mês e, mais uma vez, entre um combinado baiano e um combinado inglês. O campo dos Mártires, novamente, serviu de palco para o espetáculo, mas dessa vez, os brasileiros marcaram três gols nas redes britânicas, todos de Juvenal Tarquínio. O técnico foi o também jogador Álvaro Tarquínio e formamos com: Luiz Tarquínio Filho, Álvaro Tarquínio e Artur Morais; Pedro Ferreira, Alberto Martins Catharino e Z. Nova Monteiro; J. Nova Monteiro, Agenor Gordilho, José Ferreira Filho, Juvenal Tarquínio e Euclides Almeida.
Para não fugir à regra, o terceiro jogo foi entre um combinado baiano e um norte-americano, no dia 30 de agosto e no mesmo campo onde aconteceu a primeira vitória brasileira. Vencemos por dois gols a zero. Tentos marcados por Álvaro Tarquínio e Artur Morais. A curiosidade foi que o combinado brasileiro atuou com vários jogadores estrangeiros “emprestados”. Percebam pelos nomes na formação: Orr, Artur Morais e Terry Morrel; Alberto Martins Catharino, Douglas McNair e Rob McNair; Euclides Almeida, Juvenal Tarquínio, Álvaro Tarquínio, Tomlenson e Arnaldo Moreira. O combinado baiano foi dirigido por José Ferreira Filho.

O quarto jogo aconteceu no dia 31 de julho de 1906, contra uma equipe inglesa da África do Sul, que venceu um combinado paulista no campo do Velódromo por 6 a 0. O campo situava-se onde hoje encontra-se a praça Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo. O jogo foi tão importante que contou com a presença do então presidente da República, Afonso Pena. Formamos com: Tutu, Jeffrey e Hodgkiss; Pyles, Argemiro e Stewart; Leo Bellegarde, Charles Miller, B. Cerqueira, Oscar de Andrade e Ruffin.

Depois dessas partidas foram realizadas muitas outras, mas esses combinados mais apanhavam do que colecionavam vitórias.

No dia 7 de julho de 1908, em São Paulo, no campo do Velódromo mais uma vez um combinado paulista perdeu para a Argentina: 4 a 0. Formamos com: Tutu, Fernão Sales e Menezes; Rubens Salles, Argemiro e Carvalho; Leo Bellegarde, Ruffin, Aquino, Brown e Joaquim Prado. Quatro dias depois fomos à revanche, agora no Rio de Janeiro, no campo das Laranjeiras, com Coggin, V. Etchegaray e Otávio; Leal, Mutzembecker e Lulu Rocha; Flávio Ramos, Oswaldo Gomes, Edwin Cox, E. Etchegaray e Sampaio. Perdemos novamente. Foram três tentos argentinos contra dois gols brasileiros.

Para se ter uma idéia de nossa fragilidade futebolística, em 1910, um time inglês chamado Corinthian (que serviu de inspiração para a fundação de um clube paulistano) excursionou por nosso país e deu sonoras surras em vários combinados regionais que enfrentou.

Passados quatro anos da nossa última derrota para a Argentina, começamos uma série de partidas contra aquele país, intercalando combinados paulistas e cariocas.

Perdemos outra vez para eles, no dia 2 de setembro de 1912 por 4 a 3 em São Paulo. Parecia ser nossa sina perder para “los hermanos”.

Cinco dias após, tivemos a chance de enfrentá-los novamente, no mesmo campo do Velódromo. Levamos uma humilhante goleada de 6 a 3.

Ainda em 1912, mais precisamente no dia 12 de setembro, no Rio de Janeiro, no campo das Laranjeiras perdemos por 4 a 0 e, outra vez, dos argentinos. A diferença agora, é que era um combinado carioca. Os jogadores fluminenses tiveram também a oportunidade de um outro jogo, que ocorreu cinco dias depois. Adivinhem, derrota de 5 a 0.

Até o primeiro jogo oficial da seleção brasileira em 1914, jogamos contra muitos países e vencemos pela primeira vez, no dia 13 de julho 1913, no Rio de Janeiro. Um jogo contra a seleção de Portugal. Ganhamos pela diferença de apenas um gol, marcado por Borgeth.

Mesmo não sendo oficial, nossa primeira partida fora do país, aconteceu no dia 10 de agosto de 1913, em Buenos Aires. Contra os donos da casa, jogamos com um combinado paulista e ganhamos de 2 a 0.

Fomos vencer novamente no dia 16 de setembro do mesmo ano. A vítima foi o Chile e ganhamos de 2 a 1. Os gols foram marcados por Borgeth e De Lamare. O Brasil jogou com Marcos, Píndaro e Nery; Mendes, Jonathas Amarante e Rolando; Baiano, De Lamare, Gabriel, Borgeth e Cantuária.

Somente em 1914 com a fundação da Federação Brasileira de Sports, atual CBF (Confederação Brasileira de Futebol), é que se passou a considerar oficial a seleção brasileira de futebol.

A primeira vez que o selecionado utilizou um uniforme, foi em 21 de julho de 1914. O fardamento era composto por calções brancos, meias pretas com duas listras brancas perto do joelho e nas camisas sobressaíam duas faixas azuis, uma em cada manga. Na gola um trançado de cordel branco. Isso aconteceu no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro contra o time inglês Exeter City, quando vencemos por dois tentos a zero. No entanto, essa partida não foi considerada oficial pela Fifa.

O Brasil formou com: Marcos, Píndaro e Nery; Lagreca, Rubens Salles e Rolando; Abelardo, Oswaldo Gomes, Friedenreich, Osman e Formiga. Os marcadores foram Oswaldo Gomes (Fluminense) e Osman (América).

As meias pretas acompanharam nossa seleção até o ano de 1945, quando foram substituídas pelas de cor branca; já o primeiro distintivo foi colocado na camisa da seleção brasileira no dia 3 de outubro de 1917, em um jogo contra a Argentina pelo II Campeonato Sul-americano em Montevidéu no Uruguai. O escudo era o da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Antes disso, o Brasil nunca havia utilizado um distintivo em suas camisas. Neste mesmo campeonato, o Brasil usou, pela primeira e única vez, uma camisa vermelha. Acontece que os adversários, o Chile e o Uruguai, também tinham uniformes brancos, e o impasse foi resolvido em um sorteio. O Brasil perdeu e teve de mudar de uniforme.

Em 1950, na única Copa do Mundo realizada no Brasil, pela primeira vez, foram usados números de identificação nas camisas da seleção. Após sua triste atuação nesse mundial, atribuiu-se a derrota brasileira ao azar que as cores do fardamento atraíam. Por isso, foi instituído um concurso para se criar um uniforme que levasse as cores da bandeira nacional. Um jovem gaúcho, de nome Aldyr Garcia Schlee venceu o concurso. Surgiu assim a camisa “canarinho”.

A nova camisa foi usada pela primeira vez em 1952, na Olimpíada de Helsinque, Finlândia, e adotada definitivamente nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1954.

Apenas quatro equipes de clubes brasileiros tiveram a honra e o privilégio de usar a camisa “amarelinha” representando o Brasil. Foram eles: Palmeiras, Corinthians, Atlético Mineiro e Internacional.

O Palmeiras usou o uniforme em um amistoso contra a seleção do Uruguai no dia 7 de setembro de 1965 e venceu o jogo com gols marcados por Germano, Rinaldo e Tupãzinho.
O Corinthians vestiu as camisas azuis, o segundo uniforme da seleção, em um jogo contra o Arsenal da Inglaterra, em Londres, debaixo de um frio intenso. Foi no dia 20 de novembro de 1965. Mesmo tendo como técnico o competente Osvaldo Brandão e jogadores como Rivellino, Dino Sani e Flávio, perdeu por 2 a 0.
O Atlético Mineiro representou a seleção brasileira em um jogo contra a Iugoslávia em 19 de novembro de 1968. Venceu por 3 a 2 em uma virada espetacular. Os gols foram marcados por Vaguinho, Amauri Horta e Ronaldo.

O Internacional representou o Brasil em 1984 na Olimpíada de Los Angeles. No dia 11 de agosto jogou contra a França e conseguiu a medalha de prata. Antes já havia batido as seleções da Arábia Saudita, Alemanha Ocidental, Marrocos, Canadá e Itália.

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