CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE MASCOTES E FLAMULAS COMEMORATIVAS


História das Copas

Até hoje já foram realizadas 18 Copas, em 15 países, de três continentes diferentes. Conheça a história de cada Copa.

Incrível: em 1930 a Copa foi ignorada pelos brasileiros

As manchetes dos jornais falavam na morte de João Pessoa e na brasileira Miss Universo

 

Sem grandes craques, a seleção do Brasil que disputou a primeira Copa do Mundo em 1930 no Uruguai foi derrotada para a Iugoslávia logo na estreia e sequer chegou à segunda fase do campeonato. Se fosse hoje, a notícia iria – certamente – para as manchetes dos jornais e causaria comoção nacional. Mas o ano era 1930 e, embora o futebol já tivesse alcançado certa notoriedade, o assunto Copa não tinha lá muita importância aqui no país.
Já a cena política do país fervilhava. Transcorria a semifinal da Copa mas, no dia 26 de julho, páginas e páginas na imprensa destacavam o assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba, numa confeitaria no Recife. Mas a manchete principal era outra: o gosto pelo entretenimento já tinha faiscado nas pessoas, e uma mocinha de nome Yolanda Pereira era eleita a primeira Miss Universo Brasileira, deixando João Pessoa meio à sombra naquele maio de 1930.
 

 

E o que mais atraía a atenção do brasileiro naquele ano? A quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, ainda trazia reflexos na economia cafeeira, pilar do desenvolvimento brasileiro. E os anos 30 começavam pesados, em clima menos otimista se comparado com a empolgante década de 20, que viu a revolução na moda, nos costumes, com o automóvel e a arte moderna apontando para o futuro.  Por outro lado, em 1930 uma revolução armada viria por fim à aristocrática política do “café com leite”, e os dias da República Velha. A chamada Era Vargas iniciava. Três meses passados da Copa, em novembro Getúlio Vargas entrava para a história, em 15 anos de governo. Antes mesmo de encerrar o ano, o caudilho criou o Ministério do Trabalho e o Ministério da Educação e Saúde Pública.
 
 

 

 

Gigantismo: o dirigível Zeppelin e o Edifício Martinelli
Nesse iniciar da terceira década do século 20, a população brasileira tinha 37 milhões de habitantes, 70% destes vivendo na área rural. A indústria e a urbanização punham as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo à frente do progresso.

 Um bom exemplo de como a tecnologia ia entrando para a cena cotidiana é o dirigível alemão Graf Zeppelin, que no dia 22 de maio de 1930 desce no Rio de Janeiro, diante do olhar deslumbrado de 15 mil pessoas. Outros sinais de avanço urbano era o edifício Martinelli (o maior da América Latina), em obras na capital pauilista, e concluído em 1936. Antes, em 1931, o Cristo Redentor era inaugurado no morro do Corcovado.
Nas farmácias e outros pontos comerciais, era distribuído de graça o Almanaque Fontoura (do Biotônico Fontoura), com destaque para a figura do Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato em 1926 e que ensinava como a população devia criar hábitos de higiene, para evitar o amarelão e cultuar a saúde. Nas ruas, o xarope Bromil era estampado no primeiro outdoor. A saúde da população não devia ser das melhores. Mas também, só dois anos antes, em 1928, Alex Fleming havia descoberto a penicilina. Nos bondes, fazia sucesso o anúncio do rum creosotado, com texto atribuído ao poeta Bastos Tigre:
 

 

Ia se esboçando a chamada cultura de massas, para o grande público. E era um público cada vez maior que ansiava por informações sobre fait divers: futebol, cinema, música e as novidades da vida moderna. Circulavam várias revistas (a principal era a revista ilustrada O Cruzeiro, lançada em novembro de 1928), e havia suplementos esportivos e cinejornais. Em 1935, havia 51 cinejornais no país, que mostravam cenas do futebol, carnaval, festas e inaugurações, misturando jornalismo e propaganda.

E pouco antes do fim de 1930, o jornal O País já estampava a jovem Carmen Miranda, com 21 anos, como “a maior cantora brasileira”, graças ao sucesso da gravação da marcha Pra Você Gostar de Mim (“Taí”), de Joubert de Carvalho. Antes, em dezembro de 1929, ainda sem muita repercussão, ela faria sua primeira gravação em disco, um 78 RPM (Rotações Por Minuto) com duas composições de seu descobridor, Josué de Barros. A década de 1930 é a “era de ouro” da música brasileira, mas Noel Rosa, por exemplo, só viria a gravar Com que Roupa eu Vou? em 1931.

Quanto ao rádio, a primeira transmissão tinha acontecido em 1923. E não demoraria para que se tornasse o meio de comunicação mais popular, com programas de auditório e transmissões de jogos de futebol.

Mas ainda não em 1930, quando esta vocação não estava clara, e a propaganda comercial no ar era proibida. Pouco depois seria liberada, em 1932, frente a uns poucos protestos.

Arthur Friedenreich
Em 1931, entrava em cartaz nos cinemas o fime O Campeão de Futebol, com participação do maior ídolo da época, Arthur Friedenreich. Era um momento de grande maturidade do cinema mudo brasileiro, com muitos filmes em produção e salas cheias. Mas os ventos já sopravam para outro lado… Em 1927, estreou nos Estados Unidos o musical

 O Cantor de Jazz (The Jazz Singer), o primeiro filme falado. Por aqui, o primeiro filme sonoro é a comédia Acabaram-se os otários, de 1929, dirigida por Luiz de Barros. E logo viria o primeiro musical brasileiro, Coisas Nossas, em 1931, de Wallace Downey: cantado em português, com cantores brasileiros. Um sucesso.

Modernistas no futebol
Na literatura, os modernistas continuavam na vanguarda. Em 1923, Oswald de Andrade escrevia A Europa curvou-se ante o Brasil, sobre a excursão do (clube) Paulistano à Europa:

A Europa curvou-se ante o Brasil
7 a 2
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses
 

Cinco anos depois, em 28, Oswald lançava o Manifesto Antropofágico, e Mário de Andrade publicava Macunaíma (a história do herói que nasce índio, vira negro e depois branco). Ambos perseguiam uma cultura nacional para o Brasil, mas a luta contra o atraso envolvia inclusive a própria vida pessoal desses artistas. Assim, em 1930, Oswald e Patrícia Galvão – a Pagú feminista e revolucionária – aboliam convenções e partiam para morar juntos, para escândalo da sociedade provinciana paulistana.

Fascismo avança na Europa e inspira governo de Getúlio Vargas

1934, a crise mundial e o esporte ajudam a extrema-direita

 A segunda edição da Copa do Mundo de Futebol, em 1934, como também a de 1938, coincidem com o auge do fascismo na Europa, e foram usadas, na Itália e Alemanha, como propaganda política dos ditadores Hitler e Mussolini.

Mas, falando em comunismo, também é em 1934 que o líder Mao Tsé Tung dá a largada à Longa Marcha dos comunistas chineses, que percorreria dez mil quilômetros do país, a pé.
 
 

 

Populismo no Brasil
Talvez a figura política mais bem sintonizada com o fascismo italiano tenha sido Plínio Salgado, fundador da Ação Integralista Brasileira.

Nacionalista e anticomunista exacerbado, seu movimento incluia uma série de rituais e símbolos, como a utilização da expressão indígena Anauê (“Você é meu irmão”). Em 1934, reuniu mil integralistas numa manifestação em São Paulo. A época era radicalização política, e não demorou muito, formou-se uma frente contra o fascismo verde-amarelo: a ALN – Aliança Nacional Libertadora.
 
 

 

Musicais, no cinema e no rádio
Mesmo tutelados, os avanços na área cultural iam se consolidando. No gosto popular, dois veículos – o cinema e o rádio – já faziam sucesso. O rádio, mais na década seguinte, nos anos 40, quando testemunharia a chamada “Era do rádio”, momento de auge do veículo de massas. Esse crescimento começava em 1932, quando os anúncios publicitários passaram a ser permitidos, e surgiu a rádio comercial.
Um dos pioneiros do rádio foi Ademar Casé (avô da atriz Regina Casé), que no Programa do Casé, da Rádio Philips, lançou artistas como Noel Rosa e Almirante. Casé foi o primeiro a pagar cachê aos artistas, além de ser autor do primeiro jingle e da primeira novela.

 

 

 

Também em 1932 foi criado o primeiro programa político, comandado por César Ladeira. Pouco depois, em 1934, o compositor Ary Barroso inicia, na Rádio Cosmos, de São Paulo, o programa musical “Hora H”. Ary já havia trabalhado em rádio, mas como pianista, e aos poucos vai se tornar locutor esportivo, humorista e animador.
 
 

 

1938: Brasil ouve a Copa no rádio, pela primeira vez

Momentos de entusiasmo, no país oprimido pela ditadura do Estado Novo

 Prezados ouvintes brasileiros! Marselha parou hoje para ver o time do Brasil. Leônidas não joga. A escalação do selecionado brasileiro é: Walter, Domingos e Machado; Zezé, Martim e Afonsinho; Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Patesko”.

 
 
 

 

Mesmo com uma boa campanha, a seleção brasileira não passaria da semifinal. E a Itália seria bicampeã desta que foi a última Copa antes da Segunda Guerra Mundial, deflagrada em 1º de setembro de 1939. As edições seguintes do Mundial seriam suspensas, voltando a ser disputada só em 1950. 
Mundo em clima de guerra
Desde os anos 1920, porém, o clima bélico vinha se acirrando, e o confronto comunismo x fascismo subia a ponto de ebulição. A primeira eclosão veio na forma da Guerra Civil Espanhola (1936-39), pondo em campos opostos forças da esquerda republicana e da direita nacional-fascista. Em 1938, há dois anos do seu início, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill avaliava que a ditadura do general Francisco Franco seria, afinal, uma ameaça maior aos interesses britânicos do que um governo republicano. Não adiantou a retirada do apoio inglês.
 

 

No Brasil, a ditadura era a de Getúlio Vargas que, em novembro de 1937, havia decretado sua nova constituição de inspiração fascista, e instaurado o Estado Novo. Mas restava, contudo, a Ação Integralista Brasileira, versão tupiniquim de partido fascista, liderada por Plínio Salgado. Os integralistas apoiaram o golpe de Getúlio, para em seguida serem descartados pelo ditador, e decidiram dar o troco. Na madrugada de 11 maio de 1938, o Palácio Guanabara, residência oficial de Getúlio, enfrenta a tentativa, frutrada, de golpe integralista. Pouco antes desse fato, no final de abril, Getúlio criava o Conselho Nacional de Petróleo, anterior à Petrobras, e que vigorou até 1960, com o objetivo de controlar e fiscalizar a produção petrolífera nacional. 
 
 

 

No sertão alagoano, no remoto município de Piranhas, Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e o seu bando eram encurralados e mortos pela polícia. Graciliano Ramos publica Vidas Secas. Nos Estados Unidos, o cineasta Orson Welles – na época radialista – provoca pânico e histeria na população, ao narrar pela rádio CBS sua versão falada da novela “Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells, que relata a invasão da Terra por marcianos.  

O Brasil perde a Copa e Getúlio volta ao poder. Mas o que ficou mesmo foi o Maracanazo

 

Além do triste e memorável Maracanazo, que selou a derrota do Brasil por 2 a 1 contra o Uruguai durante aquela que foi a segunda Copa do Mundo em solo latino americano, o ano de 1950 teve dois acontecimentos que marcaram a história do país.
 
 

 

O primeiro foi a chegada da televisão, fato que só começou a ser melhor dimensionado na década seguinte, quando o rádio, que vivia sua época de ouro desde os anos 40, passou a perder a vez como principal veículo de comunicação. A primeira transmissão televisiva foi realizada em São Paulo, em abril de 1950, pelos Diários Associados, por iniciativa de outro personagem histórico, Assis Chateaubriand.

 

Pouco depois, em setembro, era inaugurada a TV Tupi, o primeiro canal de televisão brasileiro. Invenção dos anos 20, a tevê já era bem conhecida nos Estados Unidos e na Alemanha, onde grandes transmissões já haviam ocorrido, como a dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. A tela em preto e branco nem havia chegado ao Brasil, mas a RCA já anunciava em 1949, nos EUA, a criação da tevê em cores, adotada a partir de 1954. 
 
O segundo fato marcante de 1950 no Brasil foram as eleições presidenciais. O assunto agitava rádio, jornais e até as conversas de botequim, desde o início do ano. No dia 3 de outubro, finalmente Getúlio Vargas sai vitorioso, com quase 50% dos votos, derrotando um tímido rival, o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN. O país na época tinha 53 milhões de habitantes. 
 
 

 

A chegada do Pato Donald
A vida dos astros e estrelas do rádio e do cinema eram estampadas nas páginas das revistas, como o “O Cruzeiro” (pouco depois em 1952 seria lançada a “Manchete”). Também as histórias em quadrinhos, e uma atenção maior ao lazer infanto-juvenil, estavam em alta, como atesta a primeira edição da revista Pato Donald, que surgiu nas bancas em julho de 1950.

O começo da Fórmula 1
Em tempo, só para registrar. Enquanto cerca de 200 mil pessoas (cerca de 10% da população carioca na época) lotava o Maracanã para ver a fatídica decisão da seleção brasileira contra o Uruguai, outro fato, mais discreto, lançava uma nova atração no mundo dos esportes: o primeiro Campeonato Mundial de Fórmula 1, realizado pela Federação Internacional de Automobilismo em 1950.

Mas uma boa novidade tecnológica ‘salvaria a pátria’ em 1958: os kinescópios, filmagens em 16 mm produzidas pelos europeus, que foram adquiridos pela extinta TV Tupi e transformados mais tarde em videoteipe (o recurso seria usado no Brasil ainda a partir de 1958). Quanto ao público europeu, mais uma vez veria os jogos pela televisão, só que com a inovação da trasmissão via satélite. Esta possibilidade deveu-se ao satélite soviético Sputnik, que era lançado em segunda versão naquele ano. 
 
Por falar em TV, no Brasil o seu uso crescia aceleradamente, e já alcançava cerca de um milhão e meio de telespectadores em todo o território. Em São Paulo (os números são de 1956) as três emissoras de TV arrecadavam mais que as treze emissoras de rádio existentes.

Fuscas e lambretas
A indústria crescendo, vinha o apelo da moda e do consumo, que mais e mais seduzia os brasileiros. Em 1958, começava a ser produzido no Brasil o Fusca, por exemplo. Bem, o lançamento oficial seria um pouco depois, em 3 de janeiro de 1959. E em 18 de novembro de 1959, a Volkswagen inaugurou oficialmente a fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC paulista.

Já entre os mais jovens, a febre do momento era a lambreta, uma motoneta do tipo “vespa” que aportava aqui, vinda da Itália, em 1958. O modelo completo era: chiclete, blusões de couro a la Elvis Presley e lambreta.  Mas se engana quem pensa que a vida da juventude era fácil naquela época. Pouco antes, em 1957, o prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, mostrando seu estilo quadradão, proibia – pasme! – o rock and roll nos bailes!
 
 

 

Bossa Nova

A mesma onda de otimismo e modernidade dos anos JK contagiava a música popular, que se renovava com o surgimento da Bossa Nova. Em julho/agosto de 1958, saía o disco (78 rotações, da Odeon) que ficaria para a história como marco do movimento: o compacto simples de João Gilberto, com a canção Chega de Saudade, composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Antes disso, em maio, a batida revolucionária do violão de João já podia ser apreciada no álbum Canção do Amor Demais, com interpretações da cantora Elizeth Cardoso e que marcava a estreia da dupla Tom e Vinicius.
 
 

 

O Brasil, no tempo do bi de 1962

A bossa nova chegava aos EUA e as Havaianas surgiam no Brasil

 

O Brasil comemorava o título de bicampeão na Copa de 1962, conquistado meses antes, e a grande estrela do torneio, ninguém duvidava, tinha sido o genial Garrincha, com seu futebol irreverente, ousado e criativo. Mas, se era idolatrado nos campos, quando o assunto envolvia sua vida pessoal, esta era tratada na imprensa em tons maldosos e preconceituosos.
 
 

 

Já no cenário político, nacional e internacional, assuntos bem mais sérios agitavam aquele início de anos 60. A tentativa frustrada dos Estados Unidos de invadir Cuba era a manchete principal. Rechaçado pelos cubanos, o ataque à Baía dos Porcos vinha acompanhado do bloqueio comercial dos EUA à ilha de Fidel. Como ainda não tinha acontecido o golpe militar, respirava-se no Brasil alguma democracia, e o presidente Jango (João Goulart) não titubeia em escrever ao embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, para comunicar que o Brasil se opunha à invasão da ilha.
 
 

 

Voltando ao que houve de bom em 1962, esse é o ano de lançamento das sandálias mais famosas do mundo: as Havaianas, fabricadas pela São Paulo Alpargatas e cujo desenho foi inspirado nos tradicionais chinelos japoneses feitos de palha de arroz. Repare: o desenho e a textura do solado imitam os grãos do cereal, e as tiras, o trançado da fibra.
Sem dúvida, o Brasil vivia um momento promissor para a criatividade, assim como para a iniciativa industrial. O mercado automobilístico, por exemplo, estava em franca expansão, e a novidade era que a empresa alemã VW (Volkswagen) tinha resolvido produzir localmente os seus modelos de carros. Assim, em 62 sai da nova fábrica de São Bernardo do Campo-SP o primeiro Karmann-Ghia brasileiro, carrinho de linhas arrojadas, pouca coisa diferente do seu modelo europeu.
 

 

Se no Brasil os jovens da bossa nova iam de vento-em-popa, nos Estados Unidos quem despontava para o sucesso eram os Beatles, que em 1962 lançavam seu primeiro disco, Please, Please Me. Estrelas surgem, e outras desaparecem: no cinema, morria Marilyn Monroe, aos 36 anos, após cometer suicídio. Já no Brasil, o cinema celebrava a consquista da Palma de Ouro no festival de Cannes, com o filme O Pagador de Promessas, do diretor Anselmo Duarte (o cineasta faleceu recentemente, em novembro passado). 

A televisão entrava também numa nova era, pois em 1962 realizava-se nos EUA a primeira transmissão de TV via satélite. As imagens foram captadas por antenas parabólicas em diversos pontos do país e do exterior, e retransmitidas a milhões de aparelhos de televisão e rádio nos Estados Unidos, França e Inglaterra.  Mas os programas só podiam ter por volta de quinze minutos de duração, uma vez que a órbita percorrida pelo satélite impedia a retransmissão de programas mais longos.
 
 

 

Jovem Guarda, festivais de MPB e a vida sob ditadura militar

Em 1966, Roberto Carlos e Pelé eram ‘reis’. Mas no Brasil, o que avançava era a repressão política

 

No início, muita gente no Brasil não se deu conta do longo e sombrio período que se seguiria àquele golpe militar de 64. Mas logo intelectuais, operários, estudantes, artistas e outros setores sociais passaram a reagir à truculência do novo regime, que se apoiava em enxurradas de Atos Institucionais e emendas para cassar mandatos (inclusive de personalidades como Jânio Quadros, João Goulart e Juscelino Kubitschek), suspender direitos políticos, dissolver partidos e instituir eleições indiretas, primeiro para presidente e depois para governador. Em apenas dois anos, já estávamos nos AIs números 3 e 4, baixados seguidamente em 1966. Também não dá para esquecer que, mais dois anos, chegaria 1968 e os “anos de chumbo” da ditadura, com mais prisões, torturas, perseguições, censura… mas esta é outra história.
 
 

 

O fechamento político, curiosamente, não impedia a juventude de começar a “viver o seu tempo”. Os jovens ganhavam espaço na mídia, impunham sua música, elegendo o rock e a guitarra elétrica; uma moda que rompia tabus, com o surgimento da minissaia e dos cabelos compridos etc. Beatles lá fora, a Jovem Guarda aqui…
 
 

 

Lógico que ainda havia muita ingenuidade no que queria aquela turma que subia ao palco da TV Record, em São Paulo, em setembro de 1965. Afinal, o programa da Jovem Guarda, que ficou no ar até 1968, tinha um público muito jovem, adolescente, e as preferências eram namoros, carrões, alta velocidade, caras bonitos e garotas legais etc… Roberto Carlos liderava a Jovem Guarda, ao lado dos amigos Erasmo Carlos, o tremendão, e Wanderleia, a ternurinha, e de diversos outros ídolos do iê-iê-iê. Em 1966, no programa do Chacrinha, o velho guerreiro, Roberto seria conduzido ao trono e seria coroado “rei da jovem guarda”.
 
 

 

Depois de lançar o primeiro festival de música, em 1960, a TV Record voltaria a fazer o 2º Festival da MPB só em setembro/outubro de 1966. É quando Chico Buarque, cantando “A Banda” junto com Nara Leão, divide o primeiro lugar com “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, na voz de Jair Rodrigues.

Mas os festivais da Record seriam o principal celeiro dos novos artistas, e já em 1966 subiam ao palco Gilberto Gil, Paulinho da Viola, MPB-4 e muitos outros. Também em 1966 surgia o FIC, Festival Internacional da Canção (realizado até 1972), transmitido do Maracanazinho pela TV Rio. O festival acontecia em duas etapas, sendo que a nacional foi vencida por “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, na voz de Nana Caymmi.
 
 

 

Enquanto fazíamos festivais, lá fora os Beatles faziam seu último show, no estádio Candlestick Park, em São Francisco -EUA. Depois disso, eles mergulharam na vida de estúdios e produziram obras antológicas, como o Sgt. Peppers. Só voltaram a tocar ao vivo em 1969, no terraço da gravadora Apple. Mas o mundo fervia naqueles anos, nas artes, ns ciências e na política.
 
 

 

No Brasil, os estudantes assumem a luta contra a ditadura. No dia 22 de setembro, a polícia militar invade a Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro e prende 600 estudantes que realizavam o Dia Nacional da Luta contra a Ditadura, organizado pela UNE. O episódio fica conhecido como “massacre da Praia Vermelha”. A situação só iria piorar: Costa e Silva era eleito presidente em outubro, mandatos de vários deputados federais eram cassados e o congresso posto em recesso por um mês.

A Copa do Tri, no auge da repressão militar

 

 

 

A Constelação do tri

Rivelino, Tostão, Gérson, Carlos Alberto e Jairzinho, craques da seleção brasileira liderados por Pelé, esbanjam talento no México e fazem do Brasil o primeiro tricampeão mundial. Mas o futebol consagrado em campo levou um duro golpe em casa, onde viu sua conquista ser usada como propaganda política do regime militar.

 

Nunca uma final de Copa do Mundo foi tão comemorada pela população, e com tanta emoção, como a do México em 1970, quando o Brasil conquistou o Tri. Aqui, como lá, de todas as partes multidões tomavam as ruas, pulando, chorando, cantando, fazendo o maior carnaval. Na chegada da seleção, o governo decretou ponto facultativo nas repartições públicas, os jogadores desfilaram em carro aberto pelas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo, e as comemorações duraram quase uma semana.
Naquele início dos anos 70, jogadores como Pelé, Tostão e Rivelino levavam os brasileiros ao delírio, e mesmo quem não viveu aqueles dias ouviu falar de como uma nação inteira entoava, ad nauseam, o refrão:
 

 

 

“Todos juntos vamos/Pra frente Brasil, Brasil/Salve a seleção…”, enquanto acompanhava os jogos pelo rádio e pela televisão. A transmissão pela tevê já era ao vivo, via satélite, mas ainda em preto e branco. Apenas uns poucos, convidados do governo militar, assistiram aos jogos em cores, em sessão fechada, de caráter experimental, organizada pela Embratel.
 
 

 

“O Brasil dava shows de futebol em campo, a torcida arrebentava nas ruas, Wilson Simonal superlotava os maiores e mais luxuosos night clubs mexicanos, tudo conspirava a favor. Naqueles dias de calor e felicidade, desde o primeiro jogo, pela cabeça de ninguém passava a possibilidade de o Brasil não ser campeão. Mas ninguém imaginava que tudo seria tão grande e tão bonito. Era tudo baratíssimo no México, tudo muito quente e lento, nas ruas de Guadalajara uma gente meio feiosa mas simpática saía da melancolia e se animava nos carnavais brasileiros”.
 
 

 

 Futebol e ditadura

O ano de 1970 traz à memória coletiva uma estranha associação entre os tempos do “melhor futebol do mundo” e arepressão política, quando muitos foram torturados nos porões da ditadura, enquanto se propagavam lemas como “país do futuro”, “Brasil, ame-o ou deixe-o” e “este é um país que vai pra frente”.
De um lado, o futebol instigava nos brasileiros sentimentos de alegria, otimismo e fé no futuro. De outro, o mesmo futebol era utilizado como instrumento de controle político-ideológico pela ditadura militar.
 

 

A mudança comportamental, que faria da década de 70 uma era revolucionária, também no Brasil era sentida, é verdade que um tanto mais lentamente considerando o conservadorismo da época. Mas já tinha seus ícones na música e na postura irreverente dos jovens artistas do Tropicalismo, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, além de Novos Baianos, Jorge Ben e outros.

Tortura, prisões e futebol em baixa marcam os tempos da ditadura Geisel

 1974. Pela primeira vez, os brasileiros assistiam pela TV a uma transmissão de Copa do Mundo em cores. E viram a seleção perder o Mundial em verde e amarelo. Tudo muito diferente da Copa de 70, quando reinava o clima de euforia. A 

equipe brasileira jogou mal e foi eliminada nas semifinais

No comando do país, o estilo do general Ernesto Geisel, que subia ao poder em 1974, deixava de lado o marketing de seu antecessor, o general Médici, que tinha usado e abusado da paixão brasileira pelo futebol, posando de torcedor e até recepcionando a seleção tri-campeã na sede do Planalto.
 
 

 

 Ainda em 1974 foi editado o chamado Pacote de Abril, que fechava temporariamente o Congresso, cassava direitos civis e cancelava eleições diretas para governador, previstas para o ano seguinte. Só no final do mandato, em outubro de 1978, Geisel aprovaria uma medida importante para o processo de abertura: a revogação do Ato Institucional nº 5.
 
 

 

Na Copa do Mundo de 1974, a equipe da Holanda recebeu o apelido de Laranja Mecânica, devido à cor do uniforme e pela aparente anarquia dos jogadores em campo, que lembrava as gangues do filme de Stanley Kubrick. Mas o filme,
lançado mundialmente em 1971, também virou alvo da censura e foi proibido no Brasil. Por quase toda a década de 70 os brasileiros só ouviam falar daquele polêmico filme, com inovadora trilha sonora que misturava experiências eletrônicas do rock com composições de Beethoven. Liberado para exibição no Brasil em 1978, as cópias vieram com “bolinhas pretas” sobre as genitálias dos corpos nus, porque a censura da época achava mais importante esconder a nudez do que expor as platéias à violência que o filme mostrava de forma crua e realista.

Brasil perdeu no futebol, mas ganhou na luta política

 Comparada com a agitação política que sacudiu o Brasil em 1978, pode-se dizer que a Copa do Mundo na Argentina, e o terceiro lugar conquistado pela seleção brasileira , ficaram em segundo plano na importância histórica e na atenção dispensada pelos brasileiros à época. Afinal, 1978 não foi um ano comum: a data marca a volta das greves operárias e da consolidação dos movimentos sociais que seguiram crescendo ano a ano e levaram ao fim da ditadura e ao processo de redemocratização do país, concluído em 1984.

Resistência à ditadura
A eclosão do movimento operário, com as greves no ABC, foi antecedida pelos movimentos de resistência que vinham abrindo espaço de manifestação, sobretudo o movimento estudantil, que renasce em 1977, com greves, passeatas e atos públicos por liberdades democráticas por todo o país. Mas a gota d’água, pode-se dizer, que levou a sociedade a reagir ao estado de letargia e medo vigentes foi o assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do Doi-Codi, no final de 1975, seguida, em janeiro de 1976, da morte do operário Manuel Fiel Filho.

 Assim, já em 1976 o movimento estudantil universitário e secundarista começava a organizar-se para retomar suas entidades, lutando pelo ensino público e gratuito e por liberdades. Mas a ditadura estava em pé e, em abril de 1977, Geisel fechava o Congresso Nacional. Jornais independentes, como o Movimento, Opinião, Lampião, Versus, Beijo e Avesso surgiram por todos os cantos do país, numa tentativa de romper o véu da censura à liberdade de opiniao. Artes plásticas, ciência, psicanálise, homosexualsmo, música, literatura e muita política preenchiam as páginas desses tablóides pós-Pasquim.
 
 

 

Anistia política
Em agosto de 1979, após uma série de campanhas e manifestações de rua, o general João Batista de Figueiredo assinou a Lei n° 6.683, a chamada Lei da Anistia, que permitiu o retorno à vida social de centenas de presos políticos além do retorno de políticos perseguidos, exilados em outros países. O Brasil perdera a Copa de 1978, mas ganhava um possível caminho para a democracia.

Governos caíam em desgraça e o futebol brasileiro despencava contra a Itália em 1982

 

Em 1982, pela primeira vez, os brasileiros iriam assistir aos jogos da Copa do Mundo com trasmissão ao vivo exclusiva da TV Globo, feita para todas as regiões do país. Caberia assim à televisão garantir o espetáculo, em ano de derrota da seleção brasileira, exibindo em cores o futebol de craques como Falcão, Zico, Sócrates e Júnior.
 
 

 

Assim, a Copa vinha mais uma vez aliviar momentaneamente e descontrair o clima de tensão política que havia no Brasil sob ditadura militar. No meio de seu mandato, João Batista de Figueiredo (1979-1985), o último dos generais no poder, continuava empenhado em convencer a sociedade de que os militares fariam a redemocratização do país. Quem poderia acreditar, vindo de um tirano que mal escondia a arrogância e o estilo truculento, em frases lamentáveis, que ficariam para a história…
 
Por exemplo, quando questionado sobre a abertura política, Figueiredo saiu-se com esta: “É pra abrir mesmo. Quem não quiser que abra, eu prendo e arrebento!”. Ou, em palavras reveladoras de sua sensibilidade sociológica: “Prefiro cheiro de cavalo a cheiro do povo”. E ainda: “Um povo que não sabe nem escovar os dentes não

 

 

está preparado para votar”. Finalmente, ao deixar o cargo em 1985, soltou o desabafo:

“Me esqueçam… Quero que me esqueçam!”.
 
 

 

O ano de 1982 marca a inauguração da Usina de Itaipu, maior hidrelétrica do mundo. No dia 5 de novembro, o general João Figueiredo, em campanha pelo PDS, está no Paraguai, para a abertura das comportas da nova barragem, e alguns protestos, já inúteis, são verificados, porque a obra faria desaparecer do mapa as belas cataratas das Sete Quedas, no rio Paraná.
 
 

 

Se na economia, toda a América Latina vivia a “década perdida”, na política os anos 1980 marcariam o ocaso dos regimes autoritários no continente: em 1980 no Peru, em 1982 na Bolívia e em 1985 no Brasil. Apenas o Chile levaria alguns anos mais oprimido pela ditadura do general Pinochet.
 
Na Argentina, o ditador Leopoldo Galtieri sucederia aos generais Viola e o terrível Jorge Videla, no período de menos de dois anos. Galtieri, que imitava gestos do fascista italiano Benito Mussolini, e não escondia seu fraco pela bebida, ficou para a história como o responsável pela desastrosa Guerra das Malvinas, contra a Inglaterra, iniciada em 2 de abril de 1982. Depois da derrota nas Malvinas, ele é substituído por Reynaldo Bignone (1982-83), último presidente do regime militar argentino, que se encarregou da destruição de provas da chamada “guerra suja”.

Em 1986 o Brasil foi derrotado na economia e na política

 Em

1986 foi um ano azarado, aziago, como se dizia antigamente… Para começo de conversa, basta lembrar a triste derrota brasileira no estádio mexicano Jalisco, de Guadalajara. Essa segunda Copa do México foi bem diferente da anterior, a de 1970, vencida pelo Brasil. Quem levou o caneco foi a Argentina, de Diego Maradona, o craque que fazia gato e sapato da bola e dos adversários.
 
 

 

Fora dos gramados, o mundo assistiu a vários desastres de proporções extraordinárias. O primeiro, em 28 de janeiro, quando o ônibus espacial Challenger explodiu no espaço, 72 segundos após o lançamento em Cabo Canaveral (EUA). Sete astronautas morreram no acidente. As imagens, televisionadas, mostraram o momento exato do acidente: o clarão no céu, a bola do fogo e depois nuvens de fumaça completando o espetáculo terrível.
 
 

 

Tancredo morre

Na cena política, surpresas. No ano anterior, após anos de mobilizações pela eleições diretas, Tancredo Neves, primeiro presidente civil eleito desde 1964, adoeceria e morreria, antes mesmo da posse. Sem Tancredo, quem assumiu foi o vice, um certo político maranhense chamado José Sarney, antigo colaborador do regime militar, recém-ingressado no PMDB. Já em março, Sarney e a equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, lançavam o Plano Cruzado 1 para tentar conter a inflação. Tinha início a infindável série de planos (fracassados) de estabilização econômica. Foram seis, no período entre 1986 e 1994. O Cruzado trouxe congelamento de preços e uma nova moeda, valendo mil cruzeiros.
 
 

 

Também em 1985 aconteceram as primeiras eleições municipais diretas. O destaque é a volta à cena política da figura  excêntrica, populista e autoritária do ex-presidente Jânio Quadros, eleito para a prefeitura de São Paulo. ”Estou desinfetando a poltrona porque nádegas indevidas a usaram”, saía-se Jânio, tubo de inseticida nas mãos, ao tomar posse, depois da cadeira ter sido usada por Fernando Henrique Cardoso. No gabinete, pendura um par de chuteiras. Nos primeiros 31 dias no cargo, Jânio não sai do gabinete, assina 74 portarias e baixa 68 decretos.
 
 

 

Mais más notícias em 1986: morreu Cazuza, o compositor e cantor da banda Barão Vermelho; morreu Jorge Luís Borges, genial escritor argentino e também se foi o compositor Nélson Cavaquinho, autor de Folhas Secas, Luz Negra e outros clássicos do samba.

Collor subia, o muro caía e o Brasil tropeçava na Argentina

O ano de 1990 sepultou os sonhos de qualquer utopia, na política, na economia e no futebol

 O ano de 1990 não foi lá muito generoso para os brasileiros. A seleção fez a pior colocação

em Copas do Mundo desde 1966 e a terceira pior da história brasileira nos Mundiais. Na cena política, em 15 de março tomava posse o primeiro presidente eleito por voto direto em 25 anos, desde o golpe militar de 1964. Tudo parecia bem, mas, não haveria muito tempo para comemorar, pois quem subia a rampa do Planalto era Fernando Collor de Mello. O governo Collor, quem não lembra?, venceu nas urnas o PT de Lula, mas durou só dois anos, terminando em dezembro de 1992 sob fortes acusações de corrupção, pressionado pelos movimentos sociais, como os Caras Pintadas, que exigiam o impeachment do presidente.

Plano Collor
Fora a corrupção, o governo Collor deixou o seguinte saldo: bravatas políticas e, claro, o Plano Collor, com o confisco das cadernetas de poupança, que deixou a população indignada. Também foi o governo que deu início às privatizações (programa nacional de desestatização) trazendo aumento do desemprego e grandes greves de trabalhadores por todo o país. A equipe econômica de Collor sustentava que o plano conteria a inflação, que em 1989 já chegava à marca de 1.782,90%.

Futebol e lambada
Nem o futebol aplacaria a frustração dos brasileiros com a política, já que seleção perde a Copa na Itália, como havia perdido a anterior no México. Mas nem tudo era tristeza. Basta lembrar da moda da lambada, lançada pelo atacante Careca, ao emplacar o gol e abrir o placar contra a Suécia, no primeiro jogo do Brasil. O ritmo musical estava em alta no começo da década, e a gesticulação do jogador em campo virou uma marca, aguardada pelos torcedores.

E falando em moda, alguns avanços tecnológicos também iam mudando hábitos dos brasileiros. O primeiro telefone celular, por exemplo, aparece por aqui em 1990. No exterior, esses aparelhos já eram conhecidos desde a década de 70. E eram uns “tijolões”, quando começaram a ser comercializados, só diminuindo de tamanho em meados dos anos 1990.
 

 

. Os alemães foram às ruas para celebrar o fim do governo da Alemanha Oriental e, num ato simbólico, derrubaram o muro construído em 1961, e que dividiu famílias inteiras, de um momento para outro, impedindo as pessoas de circularem livremente. A queda do muro foi o primeiro sinal de que o bloco soviético – e toda sua ideologia estatista – estava desmoronando. Abria-se uma avenida para os defensores do capitalismo, da livre iniciativa e das privatizações, além da abertura do Brasil às importações. Daí, o fechamento de várias empresas nacionais e uma série de greves operárias. Mas isso é uma outra história.

Em 94, Brasil perde Senna, mas vence a Copa

 

Em 1994, no curto período que vai de maio a julho, os brasileiros teriam dois momentos de forte emoção: um de tristeza, outro de alegria… Para começar, uma fatalidade. No dia 1º de maio, morria aos 34 anos o tricampeão mundial de Fórmula1 Ayrton Senna, após acidentar-se na curva Tamburello, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola.
 

 

Itamar passa o bastão a Fernando Henrique
Na vida política do país, 1994 seria ano de eleição presidencial, e Fernando Henrique venceria no primeiro turno, com 54% dos votos. Chegava ao fim o mandato tampão de Itamar Franco, político mineiro e vice de Collor que assumira o cargo em 1992, após renúncia do alagoano, por impeachment.

Não é para menos: a alta dos preços atingia patamares do insuportável. Em 1990, o índice acumulado do ano anterior era 1.782,90%; em 1994, o acumulado de 1993 chegava a 2.780,6%!!! A nova moeda, o Real, em paridade com o dólar, baixou a inflação para 14,7% em 1995 e 1,7%, em 1999.    

Estabilidade e privatizações


O Plano trouxe aumento do poder aquisitivo, mas no curto prazo. Hoje se sabe, e na época os economistas já previam, que o processo recessivo se engendrava ali, trazendo enorme desemprego. Mas no momento, a popularidade de FHC  permitia articular sua candidatura pelo PSDB. As privatizações e o desemprego, filhos do neoliberalismo, estavam em curso desde o governo de Fernando Collor. Os  trabalhadores, com as centrais sindicais CUT e CGT à frente, iam de greves a manifestações em todo o país. Para repudiar o Plano Real, estudantes protestaram e foram reprimidos em Brasília, e uma greve é convocada. Telefônicos, petroleiros, metalúrgicos, funcionários dos Correios, bancários e muitos outros fizeram greves durante o ano de 1994. Em dezembro, a fábrica de aviões Embraer era privatizada.  
 

 

Mas 1994 seguia sendo um ano de contrastes. Na África, de um lado tínhamos o líder negro Nelson Mandela assumindo a presidência da África do Sul, com o fim do apartheid. De outro, ficaria na memória o genocídio em Ruanda, um dos maiores massacres da história, com a morte de 800 mil, a maioria da etnia tutsi.

Em 1998, enchentes e desastres ambientais sacudiam o mundo

 

Ano de derrota do Brasil na Copa para a França, 1998 marca também uma mudança importante na visão do mundo sobre as questões ambientais. O impacto da ação humana sobre o meio ambiente começava a ser reconhecido, como denota o uso da expressão “efeito estufa”, que passava a ser adotada na mídia, associada a acidentes como enchentes, que iam se tornando mais comuns.
 

 

No Brasil, o ano começava com desastre também, mas de outro tipo. Em pleno Carnaval do Rio de Janeiro, desabava o edifício Palace II. Erros grosseiros na construção, a causa do acidente que matou oito pessoas e desabrigou 150 famílias. O dono da construtora, o então deputado federal Sérgio Naya, conseguiu escapulir na Justiça de indenizar as vítimas, até morrer, dez anos depois, coincidentemente durante o Carnaval.
 

 

A política também agita o Brasil, com a reeleição, em outubro de 98, de Fernando Henrique Cardoso. O clima eleitoral esquenta em maio, com o lançamento das chapas: Lula-Brizola, pela coligação PT-PDT-PSB-PCdoB, e FHC, apoiado pelo PSDB, PFL e PMDB. O tucano recebe 53% dos votos, contra 31% de Lula.
 

 

Mal sai o resultado, Fernando Henrique anuncia acordo com o FMI, incluindo pacote fiscal e corte drástico nos gastos sociais. É a política neoliberal atacando conquistas históricas e fazendo despencar a popularidade de FHC pouco depois da posse. Nos principais portos brasileiros, portuários entram em greve contra as demissões. Em dezembro, a categoria enfrenta a PM no Espírito Santo, no protesto contra a recém-privatizada Vale do Rio Doce.

2002, porém, foi marcado pelo aumento da violência, atentados e ameaça de guerra ao terrorismo

 Outubro de 2002: fim da era FHC, início da era Lula. O líder petista vencia as eleições presidenciais, finalmente, depois de disputar por três pleitos seguidos. Hoje pode soar meio forçado, mas na época, a mídia, os empresários e os trabalhadores, enfim, meio mundo, todos pensavam que   “a esquerda chegava ao poder”.

E o resultado eleitoral foi realmente um recado, ou um basta, que a maioria da população dava ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. O tucano, em seu segundo mandato, despencava em popularidade, conforme se revelava o lado sinistro da globalização econômica, que trazia aumento do desemprego, dos problemas sociais e da violência urbana, conflitos no campo e, ainda: corrupção política, juros altos, crescimento da dívida pública, aumento das importações etc. 
 

 

Brasil pentacampeão 
Em 2003 outro fato histórico obrigatoriamente precisa ser lembrado: a Copa do Japão/Coreia, realizada entre maio e junho, antes portanto das eleições, e que consagraria o Brasil como a primeira seleção a conquistar o Penta.

 

 

Também no vôlei, o ano foi feliz, com a consagração da seleção masculina no Campeonato Mundial, realizado em Buenos Aires. Dali em diante, uma sucessão de vitórias dos rapazes do vôlei, a começar pelo título de bicampeão olímpico, em 2004.
 

 

No exterior, o ano também teve atentados e assassinatos. Num teatro de Moscou, 700 pessoas são feitas reféns e 129 morrem nas mãos de rebeldes chechenos. Em Bali (Indonésia) e Mombasa (Quênia) atentados provocaram centenas de mortes. Não bastasse, vivíamos o auge da “guerra contra o terrorismo”, tendo à frente o presidente norte-americano George Bush, respaldado pelo impacto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

 

Em 2006, na Alemanha, a seleção brasileira jogou mal, como se tivesse esquecido a recente conquista do pentacampeonato na Copa do Mundo anterior. E o mundo também não ia bem, com guerras e violência por toda parte.
A crise no Oriente Médio tinha atingido o ápice, com Israel e Líbano começando em julho uma guerra que duraria 34 dias, e que teve como estopim a captura de dois soldados israelenses pela milícia libanesa Hezbollah. O saldo foi de mais de mil mortos, principalmente civis libaneses, e fuga em massa da população para regiões fora do centro dos ataques.

 

Outro ditador que morria em 2006 era o chileno Augusto Pinochet, aos 91 anos. Este, contudo, sem responder na Justiça pelos crimes cometidos. Pinochet, que esteve à frente do governo militar do Chile por 17 anos (1973-1990), era acusado por violações aos direitos humanos e morte de 3 mil pessoas, além de crimes de evasão fiscal e falsificação de passaportes.
 

 

E ainda mais um ditador latino-americano saía de cena em 2006 – este não por morte, mas por doença: o líder cubano Fidel Castro (1959-2006), que sofrera uma cirurgia intestinal às pressas e resolveu finalmente passar o bastão para o irmão Raúl Castro.
 

 

Lula e Chavez reeleitos
Já em outros países da América Latina – Brasil e Venezuela – as principais manchetes políticas de 2006 seriam a reeleição dos dois presidentes, Lula e Hugo Chávez. O líder venezuelano saíu vitorioso com 63% dos votos e conseguiu o direito de reeleger-se indefinidamente. Já as eleições presidenciais brasileiras de 2006, realizadas em outubro, desde o início apontaram a vantagem do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, sobre Geraldo Alckmin, do PSDB. Lula venceu com 60,83% dos votos. 

 
 

 

O governo do PT consegue vencer, mesmo depois de ter enfrentado, entre 2005 e 2006, sua maior crise política: o escândalo do Mensalão, como foi chamado o esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada do governo. O caso surgiu a partir da delação do ex-deputado Roberto Jefferson, então presidente do PTB, sobre o esquema de  pagamento de propinas em troca de apoio político ao governo, e prosseguiu com CPIs, ‘dança da pizza”, dinheiro escondido na cueca de parlamentar, entre outros escândalos, ao longo dos anos seguintes. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s